Florêncio Neto

Conhecemos Florêncio Neto por mero acaso: o de uma boleia do
Barracão para Cantanhede......
O título de uma sua obra (orgulhosamente nos informava) "
Os Dramas da Emigração Clandestina" , ficaram
para sempre no meu écran psíquico.
Ao tempo, estudante liceal em Cantanhede.....
Ainda me recordo da história, real por certo, de ele ter nascido
no Barracão, num carro de bois....Com orgulho nos contava, a mim
e ao meu colega de boleia.....
O livro, ainda hoje o "vejo" na montra de uma
livraria, do lado esquerdo ..... à entrada de Cantanhede.....
Mas este
filho da Lentisqueira não se ficou apenas pela prosa. Pode ter
acesso aqui a alguma da sua poesia.
Florêncio Neto
Biografia
por: Domingos
Neto
Florêncio
Neto, nascido no Barracão, Concelho de Cantanhede, no ano de 1914.
Viveu parte da sua vida na Lentisqueira.
Homem
multifacetado onde a boa disposição e alegria eram uma constante.
Pai de nove filhos, perfilava uma vida de grande agitação que
o obrigaram a percorrer grande parte dos países da Europa e da
América Latina.
No
seu espírito de aventura espelhara-se o seu curriculum. Nos anos
50 e 60 dedicou-se ao tráfego de emigração clandestina. Por suas
interferências foram arrastadas multidões para países mais desenvolvidos
onde a mão-de-obra e o trabalho era melhor pago. O seu espírito
reinadio permitia-lhe ultrapassar dificuldades enormes entre dois
dedos de conversa, uma quadra improvisada e uma boa gargalhada.
Auto-didacta
escreveu dois pequenos livros:
-
"Dramas da Emigração Clandestina", em prosa,
onde retrata a sua vivência nos seio das peripécias vividas entre
obstáculos e fronteiras;
-
"O Caminhante Perdido", em poesia de vária natureza,
traduz o autor a mensagem de um final de vida triste e inconformado,
consigo próprio e com a sociedade, face a situações de violências
de vária ordem que o destino não quis tolerar. A demonstrá-lo
transcrevemos 3 oitavas da sua autoria. Revelam um coeficiente
de inteligência de elevado nível do autor, dado ter só como habilitações
literárias a escolaridade mínima obrigatória da época – a 4ª classe.
Faleceu
a 30 de Novembro de 1982 , em Torres Vedras, com 69 anos de Idade.
Os seus restos mortais encontram-se no Cemitério Municipal de
Cantanhede.
