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D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém

 

D. Manuel Pelino Domingues foi nomeado Bispo de Santarém, sucedendo a D. António Marques, há pouco falecido e que foi o primeiro Bispo desta diocese. Vindo da Igreja de Coimbra, D. Manuel era bispo auxiliar do Porto desde há dez anos, tendo estado particularmente ligado à região a sul do Douro.

Nascido em 1941, na Lentisqueira - Mira, D. Manuel frequentou os seminários de Coimbra, foi ordenado de presbítero em 1965 e logo depois foi, ao longo de oito anos, pároco de Seixo, Gatões e Liceia, três paróquias do concelho de Montemor-o-Velho que não teriam mais de cinco mil habitantes. Foi ali que o Bispo o foi buscar para o mandar para Roma, onde fez licenciatura em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana e depois uma outra licenciatura de especialização Pastoral em Madrid.

Chegado à sua Diocese, D. Manuel foi professor de Teologia Pastoral no Instituto de Estudos Teológicos de Coimbra e, desde 1977, no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas no Porto e a partir de 1987 e até agora no Centro do Porto da Universidade Católica. Residindo e trabalhando na paróquia de S. José, especialmente nas áreas da Catequese e da pastoral familiar, foi director do Secretariado Diocesano de Acção Pastoral e do Secretariado Diocesano de Evangelização e Catequese. Ligado ao Congresso Europeu de Paróquias, participava em encontros regulares com os directores dos secretariados de Pastoral de Leiria, de Aveiro e do Porto. A sua invulgar capacidade de apresentar a Teologia em propostas de imediata aplicação fez com que fosse repetidamente escolhido para orientar reciclagens para o clero do Porto, de Vila Real, Portalegre e Castelo Branco, ou para fazer conferências a leigos.

Nomeado bispo de Lemellefa e auxiliar do Porto em 19 de Dezembro de 1987, D. Manuel foi ordenado na Sé de Coimbra, em 13 de Março de 1988, por D. João Alves, D. Júlio Rebimbas e D. Horácio Cristino, bispos de Coimbra, Porto e auxiliar de Lisboa. Escolheu como lema «O Senhor enviou-me a anunciar a Boa Nova» e, na homilia da sua ordenação, D. João lembrou-lhe que aos bispos compete serem «os principais obreiros da renovação que Deus pediu à Sua Igreja» no Concílio, tendo acrescentado que a uma «nova geração de bispos» compete prosseguir «com coragem e com ousadia» dando um novo impulso à obra iniciada mas que necessita de avançar «mais decidida e programadamente», mormente «no anúncio da Boa Nova», na formação dos leigos e dinamização dos organismos e movimentos de apostolado laical, e na renovação das comunidades e do presbitério. E augurou-lhe «generosidade, paciência, coragem e prudência» e que se sentisse feliz no novo ministério.

D. Manuel, por sua vez, lembrou a radicalidade da vocação a que Deus chama os discípulos, louvou o Senhor pela missão em que o investiu e pediu-lhe a graça da fidelidade. Saudou depois os bispos a cujo «colégio» passou a pertencer e a que preside o Papa João Paulo II, para lembrar depois os presbíteros com quem queria viver e promover «a vida fraterna e o dinamismo pastoral» e também os religiosos e leigos, e todo o povo de Deus com quem queria «anunciar a Boa Nova aos pobres».

A entrada de D. Manuel na diocese do Porto foi na Missa Crismal de Quinta-Feira Santa de 1988, tendo o Arcebispo D. Júlio sublinhado, na altura, a sua humildade e espírito de serviço como «qualidades de que muito há a esperar para o serviço pastoral da Diocese». D. Manuel, por sua vez, prometeu - e cumpriu - «promover a fraternidade e a corresponsabilidade no presbitério» e «revitalizar as comunidades cristãs» numa maior ligação dos padres às comunidades para quem vivem e no «refazer» da vida comunitária pelos vínculos da Fé, de modo que a Boa Nova fosse anunciada ao mundo.

Dez anos depois todas estas palavras ganham um particular significado. De facto, a preparação dos sacramentos da Iniciação Cristã, mormente do Crisma, e a Catequese de Adultos foram prioridade na acção deste Bispo. E uma sabedoria alimentada ao longo dos anos permitiu-lhe conseguir uma surpreendente adesão dos párocos aos seus esforços de uma Pastoral de Conjunto. Bem, a propósito, salientou um padre de mais de meia idade da região Sul: «Ele fez-me sentir novo entusiasmo na acção pastoral e desenvolver uma habilidade, que em mim não reconhecia, de envolver os leigos na acção pastoral. Nunca tinha sentido uma tão esclarecedora proposta pastoral... Ele ensinou-me a ser pároco».

Ligado a comissões episcopais da Educação cristã e do Apostolado dos leigos, D. Manuel trabalhou ainda com os Cursos de Cristandade e com a Acção Católica.

D. Manuel Pelino é agora o Bispo diocese de Santarém, que nele vai ter o devido continuador da acção desenvolvida pelo saudoso D. António Francisco Marques. Criada em 16 de Julho de 1975, pelo Papa Paulo VI, a partir do território da vasta diocese de Lisboa, esta diocese é constituída por 110 as paróquias de 13 dos 21 concelhos do Distrito. De tamanho inferior ao que D. Manuel pastoreou na região Sul do Porto, tem 66 padres e 150 religiosas para uma população que será de menos de 300 mil pessoas.

D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém

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Carta

Saudação à Diocese

1. Nomeou-me o Santo Padre João Paulo II Bispo para Santarém. Aceito esta missão à luz do envio dos Apóstolos por Jesus Cristo. É a mesma missão apostólica que vem desde as origens, que agora sou chamado a desempenhar para esta porção do Povo de Deus.

Directamente vou continuar a obra do primeiro Bispo de Santarém, D. António Francisco Marques, de veneranda memória, a quem sempre dediquei profunda estima e cuja bondade e zelo apostólico muito admiro. Experimento algum temor perante a responsabilidade que me é entregue. Mas sinto-me forte na esperança pois vou em nome do Senhor e apoiado na moção do Espírito Santo. Desejo considerar-me sempre como enviado a percorrer os caminhos que levam ao encontro de todos os homens.

2. Vou também em atitude de confiança que assenta na certeza de que o Espírito Santo opera no coração dos fiéis. Ele é alma da Igreja e enriquece com variados dons todos os membros do Povo de Deus que constituem a Diocese de Santarém. Vou, pois, integrar-me num organismo vivo e contar com a colaboração de todos os presbíteros, religiosos e leigos. Todos juntos, coordenados e unidos, seremos capazes de desempenhar a missão que Deus espera da Igreja para o mundo de hoje. Proponho-me ser instrumento de comunhão eclesial, estar atento aos carismas variados de todos os fiéis, e promover a participação activa de todos.

Saúdo cordialmente todos os membros da Diocese de Santarém, presbíteros, religiosos e leigos que serão, daqui em diante, a minha família espiritual. Convosco serei irmão e amigo, empenhado no mesmo projecto. Papa vós serei bispo, sinal da Igreja una, santa, católica e apostólica.

3. Convosco serei a Igreja enviada ao mundo a levar a Salvação de Jesus Cristo que é fonte de esperança e de alegria para todos os homens. Creio que a Igreja tem um contributo importante a prestar à sociedade actual, na promoção da dignidade e da liberdade de todas as pessoas, na construção da justiça e da fraternidade entre os homens.

Disponho-me a dialogar e a colaborar com todos os que têm responsabilidades políticas, culturais e sociais. Construir uma sociedade mais humana e mais fraterna, onde se possa viver com gosto e esperança, só é possível com a colaboração de todos, respeitando as competências próprias. A Igreja, solidária com as alegrias e esperanças, com as tristezas e problemas de todos os homens, está atenta a tudo o que é verdadeiramente humano e empenhada em promover a fraternidade dos povos.

Porto, 27 de Janeiro de 1998

+Manuel Pelino Domingues

 

 
       
       
       
       
     

 

Lentisqueira - Concelho de Mira - Distrito de Coimbra

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